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SOBRE O ACAMPAMENTO PELA VIDA EM BRASÍLIA

Hoje haverá votação no STF a respeito do PL490 que discute o Marco Temporal. Essa PL quer estipular a data da promulgação da Constituição de 1988 como Marco Temporal para a demarcação de terras indigenas. Isso significa que qualquer terra não comprovadamente reconhecida até esta data será devolvida ao Estado para o usufruto a bel prazer (que conhecemos bem como é devastador), e as comunidades que la moram serão despejadas sem nenhum suporte governamental devido ou talvez até ser mortas por pistoleiros do agronegócio ou polícia, pois muitos não entregarão suas terras sem lutar por elas. Vamos dar uma analisada nessa tese? Que tal se estipularmos o Marco Temporal ao ano de 1500??  As coisas seriam bem invertidas, não é? Mas esse "Marco" seria muito mais justo e coerente, afinal estamos discutindo direitos originarios! Devemos estar cientes do que significa ser detentor de direito originario. Significa que tudo o que se constituiu depois é secundário. Significa que seus direitos...

Modus operandi: Silenciar e apagar

 A tentativa de apagamento da história/realidade indígena é real. No Canadá, houve uma onda de buscas por corpos de crianças que sumiram nas chamadas escolas residenciais, internatos criadas pela Igreja Católica para "civilizar" as comunidades indígenas. Arrancavam mulheres e crianças de suas famílias e comunidades para, à força, enfiá-las numa espécie de "orfanato" em que eles deviam aprender a se "comportar" como verdadeiros cristãos. Houve grande comoção no encontro os primeiros 215 corpos das crianças desaparecidas... igrejas e estátuas de ídolos católicos foram queimados em protesto e logo o número de corpos se transformou em 5.298.  5.298 restos mortais de crianças. Quem ficou sabendo disso? O assunto tem sido abafado constantemente devido o impacto negativo que a repercussão do fato trouxe para a Igreja Católica. Como se todos nós não conhecêssemos seu passado sombrio, não é mesmo? Ainda há dúvidas sobre o grande interesse no silenciamento da histó...

Sobre o Fortalecimento

Ontem de dia eu experienciei um sentimento tão grande de tristeza, desamparo e derrota porque senti em meu coração por todos os manifestantes que estavam em Brasília e que após um episódio desastroso de violência contra seus integrantes, receberam a notícia da aprovação da PL490 pela Câmara, a qual lutaram arduamente pra derrubar. Porém, já à noite tive mais um dentre tantos aprendizados que o privilégio de estar mais próxima do jeito de ser indígena me possibilitou. Aprendizado este que resolvi compartilhar pela própria natureza de sua origem. Não especificarei aqui este evento como relativo a uma etnia especifica. Mesmo porquê também aprendi bem lá no início que ser indígena era compartilhar de algumas sabedorias em comum em qualquer lugar que estivessem, em qualquer lugar do mundo. Então euzinha aqui, ontem a noite aprendi sobre fortalecimento . O fortalecimento do estar entre irmãos. Entre iguais. Aprendi que o fortalecimento está na partilha. Não só das vitórias, mas das tristezas...

Jaraguá é Guarani

  Talvez um relato sobre reencontro.  À procura de mim. Em um sábado de 2019, subi até a aldeia Itakupe, no Jaraguá, zona norte da cidade, onde estava marcada a concentração para um roteiro de atividades na mata com idealizador do projeto Existe Água em SP, Adriano Sampaio, e guaranis mbya. Na primeira parada do grupo, um espaço lúgubre que nas palavras de Pedro Karai Yapua, responsável pelo cuidado das ervas medicinais, líder espiritual/xeramõi escolhido e naquela circunstância guiando também os visitantes, fora usado como cativeiro de pessoas escravizadas, caminhamos para mais a frente observar uma fonte natural, com troncos grossos baixos, plantas altas que guardam e pedem que a fileira humana se apoie mutuamente, ali seguramos então as mãos uns dos outros não poucas vezes para evitar quedas, enquanto crianças guaranis estendiam os bracinhos a quem estava a frente para serem erguidas e logo colocadas rapidamente sobre a terra, saíam correndo e achávamos graça, cobrindo o re...

Antes de tudo, o reconhecimento do EXISTIR!

Como primeira publicação nesse projeto pessoal de registrar reflexões, perspectivas e aprendizagens quanto à luta que a nossa Ancestralidade ainda trava para se manter viva e enraizada no nosso mundo, no nosso Brasil, escolhi esta fala de uma das guerreiras mais inspiradoras e incansáveis de que tenho conhecimento.  Valdelice Veron. Indígena mulher Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul, filha de Marcos Veron, líder Kaiowá covardemente assassinado há 17 anos atrás por defender sua terra ancestral e seu povo de invasões e ataques de ruralistas. O caso foi finalizado sem justa condenação, como o de muitos outros líderes mortos em nosso Brasil. Valdelice se tornou e se mantém hoje a líder de sua aldeia.  Em sua participação na  live  do canal CULTURAS BR  no Facebook, com mais um discurso inspirador, carregado de orgulho, de respaldo originário, de força, da emotividade e sabedoria que líderes natos carregam, Valdelice falou sobre a questão que considera primordial n...