Sobre o Fortalecimento
Ontem de dia eu experienciei um sentimento tão grande de tristeza, desamparo e derrota porque senti em meu coração por todos os manifestantes que estavam em Brasília e que após um episódio desastroso de violência contra seus integrantes, receberam a notícia da aprovação da PL490 pela Câmara, a qual lutaram arduamente pra derrubar.
Porém, já à noite tive mais um dentre tantos aprendizados que o privilégio de estar mais próxima do jeito de ser indígena me possibilitou. Aprendizado este que resolvi compartilhar pela própria natureza de sua origem.
Não especificarei aqui este evento como relativo a uma etnia especifica. Mesmo porquê também aprendi bem lá no início que ser indígena era compartilhar de algumas sabedorias em comum em qualquer lugar que estivessem, em qualquer lugar do mundo.
Então euzinha aqui, ontem a noite aprendi sobre fortalecimento. O fortalecimento do estar entre irmãos. Entre iguais. Aprendi que o fortalecimento está na partilha. Não só das vitórias, mas das tristezas e angústias também.
Compartilhando a gente abre espaço para o aprendizado e o sentir necessário das situações. Divide a dor e espelha a força um do outro. Enquanto se compartilha, se aprende e possibilita o outro sentir e crescer junto também.
O sentir junto fortalece. Mesmo através da dor. Talvez principalmente através da dor. Uma comunidade que divide as alegrias das batalhas vencidas tanto quanto as dores da derrota, cresce junto. Se fortalece junto.
Pode haver dor mas há, mais ainda, afeto. Há a cumplicidade da luta e da lida. Há fraternidade. Reforço. Fortalecimento.
Por isso não se há notícias de uma comunidade indígena que não tenha guerreiros e guerreiras fortes e destemidos. Não há notícia de que sua chegada e presenças não sejam sentidas de longe.
Há força na doçura, na amizade, e há unidade na multidão onde eles estão.
E nestes últimos dias, depois de muito tempo, o país inteiro sentiu o poder que a reunião dessas unidades fortalecidas tem!
Que sejamos sábios a ponto de aprender com essa referência de luta e de garra que nós temos diante de nossos olhos.
Mais perde o Brasil ao ignorar as vozes destes povos do que perdem eles, mesmo tolerando há tanto tempo o coral do racismo, da ignorância e da estupidez que existe desde sempre no país.
Jaina Primo
Dedico esse texto a vc Whera Tupã , a vc Rodrigo Kuaray , a vc Merong Kamakã Kamakã , a vcs Valdelice Veron e Xamiri Surua Vilharva Veron , a vcs Kuaray Silva e Mïrïm Sïllva , a vc Yåh Bėnįtėz , a vc Daniel Kuaray Timoteo , a vcs Werá Mirim e Kelvin Kawan Benites , a vc Merlane Tiriyo , a vcs Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó e Edson Kayapó , a vc Woie Xokleng , a vc Levi Surui , a vc Renato Tupinikim , a vc Claudio Werekina Karaja , a Kutanapuzinho Kutanapu Kutanapu , Kutanapuzinho Kutanapu , a vc Txyflaya Fulni-ô , a vc Ywyrahu Guajajara .
#LevantePelaTerra
#TerraIndigenaFica
#ninguemsoltaamaodeninguem
#PL490Não
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